O Espetáculo e a Engrenagem: Do Frenesi de “Babilônia” à Ambição Épica de “Raja Shivaji”
A indústria do cinema é um bicho barulhento, lotado e implacável. É um espaço onde manter o próprio embalo e continuar relevante beira a arte da sobrevivência, e é exatamente sobre essa engrenagem caótica que Damien Chazelle debruça sua lente em seu novo trabalho. Com um trailer recém-lançado que já dita o tom da loucura, “Babilônia” nos joga sem paraquedas no período da Velha Hollywood, bem no epicentro da transição brutal da era dos filmes mudos para a chegada explosiva do cinema falado. A prévia escancara a desordem de uma época em que astros, atrizes e diretores precisaram se virar do avesso para se adaptar da noite para o dia a um ambiente de negócios que havia mudado as regras do jogo.
Mergulhando de cabeça na vida selvagem de quem fazia a roda girar nos anos de formação da Hollywood moderna, o longa pulsa com uma jovialidade e uma trilha sonora que beiram a insanidade. As gravações terminaram lá em outubro de 2021, mas a semente dessa história morava na cabeça de Chazelle há uns bons 15 anos, logo que ele pisou em Los Angeles. Foi só depois de colocar “O Primeiro Homem” no mundo, em 2018, que ele resolveu tirar a ideia da gaveta para escrever o que chama de uma carta de amor aos primórdios do cinema moderno. Para dar conta do recado, a produção escalou um peso-pesado de talentos: Margot Robbie e Brad Pitt puxam a fila de um elenco gigantesco que ainda traz nomes como Olivia Wilde, Tobey Maguire, Samara Weaving, Jean Smart, Li Jun Li, Jovan Adepo, Katherine Waterston, Flea, Lukas Haas, Rory Scovel, P.J. Byrne, Spike Jonze, Chloe Fineman, Jeff Garlin e Max Minghella. O calendário de lançamentos já está cravado. Nos Estados Unidos, o filme chega num circuito limitado no dia 25 de dezembro, abrindo para o país inteiro em 6 de janeiro de 2023. O público brasileiro vai poder conferir essa odisseia decadente nas telonas a partir de 19 de janeiro de 2023.
Mas enquanto Hollywood olha para o próprio umbigo para recontar seu passado de excessos, do outro lado do mundo a mesma luta por espaço e reinvenção move montanhas reais. Na Índia, onde o mercado cinematográfico é ainda mais frenético, é notável como a Mumbai Film Company encontrou o seu terreno e fincou raízes sem o menor sinal de que vai pisar no freio. Fundada por Riteish e Genelia Deshmukh, a produtora construiu um currículo de respeito em pouquíssimo tempo, bancando histórias — como “Balak Palak” — que transpiram cultura local sem abrir mão da conexão comercial. A premissa da dupla sempre foi cristalina: contar narrativas de gente de verdade, respeitando as nuances culturais, mas com uma roupagem visual que fisgue o grande público sem esforço.
Essa balança encontrou seu ponto de equilíbrio logo cedo e gerou resultados absurdos. Blockbusters como “Lai Bhaari” e “Ved” não só estouraram nas bilheterias, cravando seus nomes entre as maiores arrecadações da história do cinema marata, como também provaram que existe uma fome gigantesca por histórias regionais embaladas em proporções colossais. A empresa também nunca teve medo de mergulhar em águas mais densas. “Yellow”, que levou para casa um cobiçado National Award, é a prova cabal de que o estúdio sabe bater em temas provocativos mantendo a trama acessível e envolvente. O frescor da voz da produtora é o que amarra tudo isso. Seus filmes parecem sempre caminhar um passo à frente do seu tempo, mas mantendo uma conexão umbilical com a plateia contemporânea.
Agora, eles chutaram a porta de vez com “Raja Shivaji”. A aposta aqui subiu para um patamar que a indústria marata dificilmente havia experimentado. Produzido numa escala monumental e lançado simultaneamente em vários idiomas, o épico histórico atropelou os recordes de bilheteria logo na abertura, estabelecendo um novo teto para o cinema local. Fica evidente a ambição de mostrar que uma narrativa enraizada na própria terra tem fôlego de sobra para viajar e impactar outras praças. Mesmo sendo uma trama de época, a ressonância com os dias de hoje é imediata, carregando um peso cultural denso sem soar como um produto de nicho inalcançável. Para ancorar essa magnitude, o próprio Riteish assume as rédeas dentro e fora das telas, liderando um elenco formidável que promove um verdadeiro encontro de titãs das indústrias hindi e marata, reunindo Sanjay Dutt, Abhishek Bachchan, Vidya Balan, Mahesh Manjrekar, Sachin Khedekar, Boman Irani, Bhagyashree, Fardeen Khan, Jitendra Joshi, Amol Gupte e Genelia Deshmukh. No fim das contas, seja no glamour caótico de uma Hollywood em transição ou na ascensão implacável de um épico histórico indiano, a tela grande continua exigindo o mesmo tributo: audácia para contar histórias que se recusam a ser esquecidas.
Desafios e Legados em Hollywood: O Futuro de ‘Como Treinar o Seu Dragão’ e a Crise de Pirataria em ‘Avatar’
O avanço do audiovisual sul-coreano entre o streaming e o cinema
A Bússola Para Encontrar os Filmes Mais Incríveis do Ano
“Nobody Wants This”: O Futuro da 3ª Temporada e o Romance Improvável de Kristen Bell e Adam Brody
Bad Bunny é Anunciado como Atração Principal do Show do Intervalo do Super Bowl LX
O Espetáculo e a Engrenagem: Do Frenesi de “Babilônia” à Ambição Épica de “Raja Shivaji”
O Cenário dos Carros Híbridos: Modelos Mais Baratos no Brasil e os Novos Planos da Volkswagen